Uma discussão relevante é sobre como aplicar os dólares das reservas: atuando sobre o mercado spot de câmbio? financiando exportaores? Segurando para prevenir problemas maiores? Começando a pensar em controle de capitais enquanto ainda se tem reservas?
Excelente proposta de discussão.
Nassif,
Esse é um assunto que me interessa.
Dada o que pude aprender minhas opiniões são as seguintes:
Nossa situação não é nada boa, se mantivermos o padrão usual de conduta dos cabeça de planilha.
Estamos com déficit no câmbio especulativo e não especulativo.
O certo é que não podemos vender reservas para especuladores, temos que usá-las apenas para as operações não especulativas que já estão bem deficitárias.
É imprescindível gerar superávit em conta corrente. Para isso o saldo comercial precisa aumentar. A política industrial e de apoio às exportações terá que ser muito mais ativa. Esperar o câmbio dar jeito, pode ser muito demorado e doloroso em termos de quebradeira dos vendidos e inflação.
é necessário dar todo o subsídio e crédito permitido pela OMC às exportações.
Para financiar as exportações, o Banco central não está conduzindo da melhor forma. Quem deve fazer isso é o BNDES e o Banco do Brasil, que tem experiência, porém estão sem recursos por miopia da Fazenda e resistência da diretoria do Bacen. O Bacen deveria emprestar dólares apenas para esses bancos públicos, e sem limite! Eles reemprestariam diretamente para os exportadores.
Para financiar as importações, podemos deixar para os gringos cuidarem de seus negócios, não faltam dólares nos bancos centrais.
Mas a curto prazo é preciso estancar a especulação. Obviamente o controle de capitais é a medida mais eficaz. Enquanto, o governo toma coragem para contrariar a Miriam Leitão e Cia, o que deve fazer é oferecer swaps cambiais exclusivamente aos exportadores que estão em situação difícil e não a qualquer especulador que quiser (bancos). Pois essas swaps não serão capazes de controlar o câmbio à vista (pois a demanda líquida estrutural por dólar à vista é positiva), seria um aumento de dívida pública sem eficiência, como foi em 2002.
O Banco central deve restringir ao máximo a liquidez dos possíveis especuladores, principalmente bancos. e aumentar o compulsório para todos os tipos de depósitos e fundos de renda fixa e cambiais. Reduzir a liberdade dos exportadores atrasarem a entrada de divisas. Um grande problema é a dívida pública em Selic (uma jabuticaba insana que faz a alegria dos banqueiros mas que potencializa muito o ataque cambial). O governo deveria colocar um "pedágio" para inibir a transformação de títulos selicados em dólar e proibir a utilização desses títulos pós-fixados como garantia-margem nos contratos de dólar futuro.
Há muitas outras possibilidades. Mas a sugestão depende das opções que são vedadas politicamente pelo medo do governo ou por pressão internacional.
De qualquer forma, essa crise é a grande oportunidade de tirar a Raposa com autonomia operacional para cuidar do galinheiro. Se o governo, atender aos especuladores vai se acabar, vai entrar em uma grande recessão com inflação e pedir água para o FMI, se ficar inerte, vai ter que cuidar só da inflação.
Mas em uma análise aprofundada a situação é confortável. A não ser que a Raposa dirija o processo...
é a chance do Lula colocar o interesse público em primeiro lugar na gestão econômica (o que ainda não aconteceu nesses 6 anos)
abraços
O Governo Federal lançou recentemente a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP). No entanto, percebo que os cabeças-de-planilha insistem na cantilena da “inflação” e dos “gastos públicos”. As opções e as possibilidades levantadas pelo Gustavo devem ser levadas em conta. O ideal seria aproveitar o que se passa no cenário externo, refiro-me às intervenções feitas na Europa no âmbito dos respectivos sistemas financeiros nacionais, e iniciar um processo gradual de inflexão no eixo do processo de acumulação econômica. Novos tempos, novas possibilidades...
De acordo com o engenheiro Paulo Metri, para recomprar as ADRs e acabar a polêmica sobre criar ou não uma nova estatal para o pré-sal, o governo teria que desembolsar US$ 29 bilhões. Taí um bom destino para parte das reservas...