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Por João Carlos

Ontem, o Presidente do Banco Central Europeu conclamou o retorno da racionalidade do primeiro Bretton woods (estamos no Bretton woods II), enquanto os líderes da União Européia pediram para que no próximo mês haja uma reunião conjunta do G 8 (G7 + Rússia) mais os países em desenvolvimento (leia-se: China, Brasil, Índia, África do Sul, Venezuela, Arábia Saudita, ou seja, os "bagrinhos") para reestruturar o sistema financeiro mundial.

É possível que vejamos o surgimento do Bretton Woods III. Toda atenção deve ser dada a este fato.
A situação atual é:

1- O sistema financeiro internacional travou por falta de liquidez decorrente da crise de solvência dos bancos dos EUA e Europa;

2- A Europa agiu independentemente dos EUA e estatizou os bancos, pois é a única solução para uma crise de solvência (modelo Sueco);

3- OS EUA titubeiam em adotar a única solução que realmente resolve o problema;

4- Em minha humilde opinião, o governo dos EUA tão cedo não adotará a solução correta por motivos políticos: a eleição do Obama está praticamente garantida e o governo Bush vai deixar a ESTATIZAÇÃO para o Obama, fica mais fácil acusá-lo de comunista depois;

5- O problema é que o comércio internacional está parado enquanto a liquidez não for restaurada;

6- Não é possível esperar até 20 de janeiro para os EUA estatizarem os bancos e finalmente ver a liquidez restabelecida, comércio internacional parado vai tornar uma recessão global numa DEPRESSÃO global;

7- Os líderes europeus estão sendo forçados a tomar a dianteira no processo, ou seja, a crise é de hegemonia.
Pelos termos usados (retorno à "disciplina" do Breton Woods I) e pela quantidade de países chamados para a reunião, é possível discernir o que vem por aí.

Breton Woods I era o acordo que existia até Nixon acabar com o lastro de ouro. Foi firmado em 1944, embora Lord Keynes tenha insistido que não se deveria adotar o dólar como moeda de comércio internacional. Para Keynes, que representava o governo britânico na reunião que formulou o acordo, os bancos centrais do mundo deveriam ter reservas em ouro e o comércio internacional seria realizado por uma moeda contábil controlada pelo FMI (também criado pelo Breton Woods I), que teria uma cesta de diferentes moedas como lastro.

Venceram os interesses dos EUA na reunião, pois já era a potência hegemônica do mundo ocidental. Breton Woods I tinha o dólar como moeda de reserva e moeda de comércio internacional, sendo que o dólar deveria ter um lastro de ouro. A vantagem é que nenhum outro Banco Central precisaria ter lastro em ouro, apenas lastro em dólar.

Em minha humilde opinião, o Breton Woods III vai trazer o lastro em ouro de volta. Só que não será possível ser por meio do dólar, pois o FED está falido. Como o keynesianismo está voltando com força, é só observar que o modelo Sueco de estatização de bancos é keynesiano, não duvido que acabem adotando a solução do próprio

Keynes, a criação de uma moeda internacional para o comércio com um lastro de cesta de moedas e com os bancos centrais do mundo fazendo reservas em ouro. Resolveria dois problemas:

1- seria um abandono controlado do dólar, de maneira que os bancos centrais teriam as perdas reduzidas com a troca de suas reservas; e

2- evitaria que o Euro se tornasse a moeda de reserva e de comércio, pois a Europa teme que levaria a uma redução de suas exportações.

No entanto, enquanto o governo Bush não for substituído, acredito que os EUA se oporão fortemente à idéia. Só que no momento o mundo precisa urgentemente de um novo Breton Woods. O Breton Woods II está completamente falido.

A oposição dos EUA forçará a Europa a tomar uma posição decisiva para a criação do novo acordo. Será visível uma grande quebra na hegemonia política dos EUA, a Europa indo em outra direção.

O fim da hegemonia do dólar e o começo de um mundo multipolar poderão ocorrer na reunião dos países no próximo mês. Será um processo político e não do mercado, como eu vinha afirmando até agora.

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Respostas a este tópico

Prezado Nassif,

Acredito que será difícil resolver a questão através de um lastro tangível. Diversos economistas têm defendido que a corrida para o dólar aconteceu, em parte, pois os lastros reais para o dinheiro em circulação não eram suficientes. Alguns acreditam que a valorização expressiva de diversas commodities aconteceu, pois elas estavam sendo usadas como reserva de valor.
Já começa a fortalecer a linha que enxerga a Nova Economia como uma economia de relações, onde a multiplicidade de moedas (muitas conversíveis entre si) iria representar a relação entre aqueles que participam do negócio. Lembro que há vi uma noticia que dizia que “Convertendo em dinheiro, outro estudo, da revista britânica The Ec...
É só compararmos o volume de securitizações com o pib global. Em nossa opinião, com a era digital, apenas uma moeda também digital, não aquelas que são apenas de circulação digital, poderá acompanhar a velocidade de nossos tempos. As Crises, historicamente, tem estado relacionadas com problemas de liquides, estes geridos por um pequeno grupo. A nova economia não tem como esperar por esta burocracia, esta massa, nem este jogo de interesses. Nosso novo mundo é online, neste mundo da velocidade as leis não acompanham as demandas da sociedade, as moedas oficiais são trocadas por moedas de trocas entre fornecedores e compradores. Está na hora de pensar o novo, e, curiosamente a nova CPMF, uma das poucas a refletir o novo, é sempre tão criticada de forma negativa. Está na hora de repensar a forma de fazer as coisas.

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