Luiz Fernando de Paula*, Manoel Carlos de Castro Pires** e Tiago Rinaldi Meyer***
1. Introdução
Em economias abertas, no contexto de ampla mobilidade de capitais em um ambiente de globalização, a taxa de câmbio se tornou uma variável fundamental, que afeta o comportamento da inflação, balanço de pagamentos, investimento, crescimento econômico, etc. Em particular o câmbio é um preço fundamental na formação de expectativas empresariais, uma vez que influencia as relações econômicas de um país com o resto do mundo. De fato, a literatura internacional mostra fortes evidências de que a taxa de câmbio real (e desalinhamentos cambiais) afeta o crescimento econômico.
O Brasil mudou nos últimos anos o regime cambial: até 1994 utilizava um regime de crawling peg passivo; a partir de 1995 até início de 1999 adotou um regime de bandas cambiais combinado com um sistema de minidesvalorizações cambiais (crawling peg ativo). A partir de 1999 adotou formalmente um regime de câmbio flutuante, que tem funcionado por vezes com uma flutuação administrada. Durante todo este período o Brasil veio adotando medidas de desregulamentação na conta capital do balanço de pagamentos, o que fez com que o país tenha uma conversibilidade de facto da conta capital. Neste contexto, a taxa de câmbio tem estado no centro das atenções na condução da política econômica no país. Seu comportamento tem afetado de forma importante a inflação doméstica, assim como o funcionamento do balanço de pagamentos.
O objetivo deste artigo é discutir a influência da taxa de câmbio sobre as variáveis macroeconômicas (inflação e crescimento) e sobre o balanço de pagamentos no Brasil. Em particular, procura-se mostrar que a taxa de câmbio, no contexto de uma economia liberalizada e financeiramente integrada e de operação de uma política econômica que combina regime de metas de inflação com câmbio flutuante, tem sido uma força mais instabilizadora do que estabilizadora na economia. Isto coloca a necessidade de se discutir alternativas de regimes cambiais.
O artigo está dividido em quatro seções, além desta introdução. Na seção 2 avalia-se o funcionamento do regime cambial no Brasil, em particular a partir de 1999, e afere-se o impacto da integração financeira sobre crescimento e estabilidade econômica. Na seção 3 o foco é o impacto do câmbio (e seu desalinhamento) sobre o balanço de pagamentos, com ênfase na balança comercial. A seção 4 avalia alternativas de regimes cambiais, em especial regimes intermediários. Por fim a seção 5 conclui o artigo.
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