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A ata do COPOM (Comitê de Política Monetária) – divulgada agora de manhã – continua se espelhando em séridividees passadas para tentar projetar o futuro.

É curioso como parte relevante do mainstream econômico continua a se valer desse método em momentos de profunda inflexão econômica.

Valeria a pena ler mais George Soros, o homem que conseguiu, a partir do conhecimento do mercado, da formação de preço e da formação de expectativas, melhor explicar essa falsa racionalidade da ortodoxia econômica.

Sorus divide a realidade em duas partes. A primeira, a chamada análise científica, supostamente neutra, que tenta explicar a realidade com bases em conceitos supostamente científicos. A segunda, que ele chama de manipulativa, que é o conjunto de agentes com interesses específicos, tentando adaptar a realidade aos seus objetivos.

A primeira seria o que os economistas chamam de “fundamentos” da economia; a segunda, o que caracterizariam como “expectativas”.

Nesses tempos de economicismo desvariado, considera-se que o mercado sempre se comportaria de forma racional. Um ou outro agente poderia errar mas, estando um ponto for a da curva, trataria de se adequar no momento seguinte.

Soros rebate a idéia da racionalidade. Esses dois pontos – a interpretação racional e a manipulativa da realidade – são rua de mão dupla.

Suponha que os agentes tenham uma percepção incorreta dos fundamentos da realidade e apostem que, a médio prazo, virá uma recessão. Mesmo que os fundamentos apontem em outra direção, esse movimento defensivo fará os empresários segurarem gastos e investimentos e alterará a realidade.

Como é impossível estabelecer correlações precisas entre esses dois universos – o da realidade e o manipulativo – os cabeções continuam no velho modelito de pegar o passado e projetar para frente.

É evidente que outubro significou uma profunda mudança nas expectativas empresariais no mundo todo e, em menos dimensão mas ainda significativamente, no Brasil. No entanto, a ata do COPOM continua analisando a progressão do NUCI (Nível de Utilização da Capacidade Instalada), dados de emprego para insistir na história do PIB potencial (o limite de crescimento para a economia sem gerar inflação).

Como o Brasil tem uma tendência histórica a comprar badulaques de segunda mão, vai dar um trabalho danado promover esse aggiornamento no pensamento econômico hegemônico brasileiro.

Por Elwood

"Essas duas politicas inteiramente contraditórias estão em curso"

A politica de juros amplamente negativos (no mundo) revela o desespero das autoridades, (e o imenso dilema politico ).

O problema, mais q de liquidez eh de solvencia ou de valor de ativos muito duvidosos (sem considerar os derivativos). Na ciranda financeira de dois decadas a maioria dos emprestimos era interno ao sistema financeiro e especulativo.

Eh dificil entender o objetivo dos juros bem abaixo da inflacao:

tentar de criar outra bolha, dificil

aumentar investimento e producao: dificil tb, a demanda eh determinante

aumentar o credito ao consumo, pode ser, e como efeito aumentar a demanda e investimento,

favorecer emprestimos entre operadores e insitituicoes financeiras, pode ser

Os spreads sao muito menores q no Brasil.

De qualquer forma parece q o barcu vai afundar. Sendo o problema de solvencia e o povao endividado ate o pescoso sem possibilidade de fazer mais dividas, essa politica vai estimular especulacao e inflacao.

No Brasil nao existe correspondencia entre credito criminoso ao consumo e taxa selic. As montadoras planejaram a producao na base de demanda de consumo criada pelo credito, nao na renda ou aumento do salario.

Percebida como bolha e os consumidores assustados pelo asnos/asnas da televisao a operacao crediario para otario esta em baixa.

E nao tem variacao da selic q ajude. Dai a politica fiscal.

Colocar uma nova CPMF. e manter juros reais positivos para nao se suicidar eh tb positivo.

Por Elvis de Almeida Silva

Caro Nassif,

Economia é uma arte. É sutil, tinhosa e, apesar dos (necessários) instrumentos matemáticos e estatísticos e do (às vezes dogmático) rigor, ela paga tributo às vicissitudes da realidade, permanecendo genuflexa diante dos fatos. E esse ato de contrição e humildade perante as engrenagens dos acontecimentos não se dá sem um certo contragosto por parte dos economistas, prepotentes que são.

Parece-me que ainda não se reconheceu um fato básico, mas penetrante, sobre a economia: ela é excelente para explicar os fenômenos depois que eles tomam lugar e péssima para antecipar e prever os acontecimentos. Essa característica decorre do fato bruto de que as próprias ações dos agentes, influenciadas por expectativas, acabam por determinar o curso dos fatos e culminar em profecias auto-realizadas. Junte a este ingrediente a velha mania de esquecer a parábola dos gansos brancos e pretos (e, por conseguinte, o problema da indução) e valer-se de econometria bisonha para "prever" tendências já vetustas e em desacordo com a realidade, precário conhecimento de teoria econômica, total ausência de perspicácia e um bom tanto de ganância desses garotos jactantes do dito "mercado" e temos uma verdadeira procissão de arautos da desgraça na mídia, que já enterraram o Brasil dos próximos meses sem sequer darem-se conta de que economia não é fatalismo e nada está escrito, tudo está para ser construído.

Sendo economista e funcionário do Ministério da Fazenda, acredito firmemente que é mais sábio, em momentos como o de agora, procurar vislumbrar os desdobramentos dos possíveis cenários e, principalmente, pensar em medidas e cursos de ação que possam fazer frente aos diversos problemas que os percalços econômicos ensejem (coisa que os bons economistas fazem muito bem).

Esse trabalho requer do analista grande sensibilidade e agudo senso de observação para perceber qual fio da trama econômica é mais frágil e mais suscetível aos problemas vivenciados, estimar qual a resposta dos diversos agentes perante as medidas de política econômica e, a parte mais difícil, pesar quais os custos e benefícios dos cursos de ação estruturados e decidir por um ou alguns deles, coisa que um pacote econométrico e meia dúzia de teoremas são incapazes de fazer sozinhos. E isso é algo fundamentalmente distinto de assumir tendências efêmeras e comportamentos de manada como fenômenos permanentes, traçar correlações superficiais e tomá-las por causalidade, bancar Tirésias e enunciar um simples palpite como se fosse uma lei da natureza (que é o que fazem os palpiteiros da mídia).

É bom ver que há analistas serenos e experientes como você, que são o acicate do fórum econômico. Um forte abraço e saiba que, aqui na Fazenda, estamos trabalhando para construir este País.

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Respostas a este tópico

A ortodoxia neoclássica, que busca eterno refúgio na "ciência positiva", tem muita dificuldade até mesmo na leitura de seus autores prediletos. Vejamos um exemplo interessante: Karl Popper, em The poverty of historicism (Routledge, 1957). Citarei duas passagens: “A idéia de que a previsão pode influenciar os eventos previstos é velha” (p.11); “A previsão e sua ausência podem gerar variadas conseqüências” (p.13). Os grandes interesses pecuniários em jogo sabem disso.


Um abraço,

Rodrigo

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