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Por João Marcus Marinho Nunes

Nassif

O artigo anexo faz um contraponto à discussão de ontem na Fiesp no que toca a economia americana. (clique aqui para ler na íntegra)

A pergunta que se faz há pelo menos um ano é: Os EUA estão numa recessão? Mais recentemente, influenciado pela crise financeira, postula‐se que se vive o pior momento desde a Grande Depressão dos anos 1930!

(...) Tendo em conta o grande número de manifestações apocalípticas a respeito da economia americana e, por extensão, da economia mundial, vale a pena um exame detalhado dos dados para que se possa aferir se o sentimento prevalecente tem fundamento.

(...) O primeiro ponto a ressaltar é a quantidade e intensidade dos choques que se abateram sobre
a economia nos últimos anos. Petróleo, commodities, guerras, terrorismo e, mais
recentemente, um choque financeiro deflagrado pela crise do ‘subprime’. Qualquer um destes, sozinho, em outras épocas já teria dobrado a economia. Numa seqüência então não é difícil imaginar o que teria acontecido. Por esta razão a revista Economist exclamou alguns meses atrás. “Se não estamos numa recessão, certamente nos sentimos como se estivéssemos”.

Começamos com o emprego (NFP) (...) A barra azul indica nossa hipótese de que a recessão começou no último trimestre de 2007.

(...) Comparado com as outras recessões, mesmo aquelas consideradas brandas (1990/91 e 2001), a queda do emprego como proporção da força de trabalho no momento atual é muito menor.

A figura 2 mostra a variação das horas totais trabalhadas. Esse indicador combina o dado de emprego (número de pessoas trabalhando) com o “tamanho” médio da semana de trabalho (as pessoas estão trabalhando 40 horas semanais? Fazendo hora extra? Trabalhando meio período?). Aqui também se nota que a redução das horas trabalhadas é relativamente pequena.

A figura 3 mostra que outro indicador importante na deliberação do NBER, a produção industrial caiu uma fração do que ocorreu na maioria das recessões anteriores. Observa‐se que na recessão de 2001 a produção industrial caiu bem mais do que o fez na recessão de 1990/91. Em 2001 a queda do investimento não residencial foi forte, ao contrário do que aconteceu em 1990/91 quando a queda do investimento residencial foi notável. A situação, no momento, se assemelha à de 1990/91. Como ilustrado na figura 4, atualmente é o investimento residencial que caiu em magnitude parecida com aquela observada em 1990/91, com o investimento não residencial se mantendo positivo. Como a produção industrial é mais afetada pelo investimento não residencial, a manutenção deste ajuda a limitar a queda da produção industrial.

(...) Outro dado importante na avaliação do NBER é o dado da renda real disponível. (...) Me atenho a comparar a evolução da renda real disponível atualmente com aquela observada em torno da recessão de 2001.

(...) As figuras 7ª e 7B mostram a evolução da renda real disponível nos dois momentos. O rebate de 2008 foi maior e sua distribuição mais rápida, fazendo com que a queda da renda disponível também fosse mais aguda.

(...) Por fim, o próprio PIB, o grande agregado macroeconômico que engloba todo o valor adicionado nas atividades de mercado. Na figura 9 sobressai a significativa redução da volatilidade do crescimento nos últimos 25 anos, independentemente da forma de medição. E não foi porque nesse período os choques foram mais brandos.

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