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A teoria econômica quase sempre é polêmica. Mas ela é consensual em alguns pontos. Dois deles são oS seguinteS:
1) Em uma crise de crédito é necessário suprir liquidez ao sistema.
2) Em uma crise cambial é necessário reduzir a liquidez do sistema para reduzir a munição de quem está especulando com moeda estrangeira.

Uma crise de crédito se resolve emitindo moeda e dívida pública, como os 850 bilhões do Paulson. É um problema de solução interna, e cuja remédio é consensualmente aceito e que pode ser considerado como tendo mais ou menos efeitos colaterais dependendendo se o economista é ortodoxo ou keynesiano. Para os keynesianos, o efeito colateral desse remédio é insignificante perto dos riscos da doença. O custo em desemprego pode ser nulo, como vimos com as soluções das crises financeiras oferecidas por Greenspan.

Já em uma crise cambial é o contrário. Oferecer mais liquidez aos bancos só agrava a crise, pois esse dinheiro será usado para adquirir o ativo mais rentável e ou seguro do momento que é: a moeda estrangeira. E isso também é consenso. Porém é um problema cuja solução pode não ser só interna, pois o remédio é moeda estrangeira. Moeda cujo governo não pode imprimir. Só apertando o cinto com medidas dolorosas e ou adotando medidas fortemente intervencionista se obtém mais moeda estrangeira em crises cambiais. Esse fenômeno é conhecido entre os economistas como Restrição Externa.

Outra diferença é que a crise cambial é muito mais grave do que uma crise de crédito.
O velho Professor Mario Henrique Simonsen da FGV já dizia: “inflação esfola, desemprego aleja, câmbio mata”.
Na melhor das hipóteses, a crise cambial traz inflação e desemprego.
Por isso a MP 422 está atacando o problema errado e pode agravar o verdadeiro problema!! Meirelles está propondo ao Presidente Lula apagar incêndio com gasolina:

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Gustavo Antônio Galvão dos Santos Comentário de Gustavo Antônio Galvão dos Santos em 7 outubro 2008 às 18:55
pois é MP 442
Rodrigo L. Medeiros Comentário de Rodrigo L. Medeiros em 7 outubro 2008 às 16:27
Meu caro amigo

Irei citar um trecho do Karl Polanyi: “o objetivo da haute finance era o lucro; para atingi-lo era necessário um bom relacionamento com os governos, cujo objetivo era o poder e a conquista” (A grande transformação. Campus, 2000, p.26). O uso impiedoso da força contra os mais fracos, incluindo a sofisticação do poder condicionado no campo intelectual, e a corrupção desenfreada nos escalões administrativos ilustraram muitas histórias de imposição de certos mecanismos de mercado.

A política do medo também integra o arsenal de táticas plutocráticas. As crises financeiras são excelentes oportunidades para que sejam propostos cortes de direitos sociais e arrochos salariais. Tudo pautado na sabedoria convencional estabelecida. A ortodoxia fica disfarçada de ciência positiva.

Um abraço,

Rodrigo

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