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Do Blog

Por Ruben

Pessoalmente acho um equívoco compreender os movimentos do mercado das últimas duas semanas como mera deterioração na confiança do sistema bancário global. A ação do mercado, longe disso, parece apontar para novos problemas, muito além das instituições financeiras. Parece haver uma compreensão de que com o colapso da infra-estrutura monetária pós-moderna, que com sua intricada rede de inter-relações financeiras era capaz de fazer o dinheiro circular com uma velocidade frenética, simplesmente há muito pouco dinheiro, no sentido mais básico do termo, para que a economia possa funcionar.

Todo mundo parece desesperado por dinheiro de curto prazo, o que parece estar pressionando os juros interbancários (não me convence a hipótese de que isto é reflexo da desconfiança mútua). Simplesmente parece haver muito mais demanda por dinheiro do que dinheiro disponível. E os bancos centrais, a despeito de seus esforços hercúleos, nem de longe estão conseguindo imprimir dinheiro numa velocidade aceitável. Diante disto, parece inevitável uma onda de bancarrota que deixou o mercado em pânico.

Que era esta infra-estrutura que desapareceu? No fundo a capacidade de usar a riqueza do capital para gerar montanhas de dinheiro. E por várias vias.

Desde o capital mais consevador, como o fundo de pensão, que alugava (vendia com compromisso de recompra) os seus ativos e investia os proventos em fundos de money market, que por sua vez emprestavam dinheiro de curto prazo para os bancos e os braços financeiros das empresas. Passando pelo caixa das empresas e fundações que, por exemplo, eram investidos em empréstimos de longo prazo para os municípios mas que eram disfarçados em instrumentos de curtíssimo prazo (os auction rate securities). Passando pelos fundos mútuos que passaram a usar alavancagem cada vez com maior intensidade à medida em que as rentabilidades e a aparente volatilidade do mercado colapsavam. Chegando enfim, aos Hedge Funds hiper-alavancados que levantavam, através dos "prime brokers", tremendas quantias de crédito com uma agilidade grotesca (no auge de 2007, um fundo podia alavancar 2 ou 3x, um investimento ilíquido em um país emergente qualquer, com um mero telefonema de um minuto).

Estas inter-relações no fundo substituiam o conceito tradicional de dinheiro, no sentido de estar à margem do sistema bancário, que desprezando uma de suas funções, emprestar capital de giro para a economia, estava entretido em gerar e liquefazer dívida de longo prazo. Tudo isso ruiu, e foi finalmente sepultado com a quebra da Lehman Brothers, que enfim gerou uma grande desconfiança com todo este sistema.

Sem ele, de repente, os bancos tiveram que reassumir o seu papel de garantidor de toda a liquidez da economia global. Não estão preparados para isso nem há montante de dinheiro necessário para isso. Como se imprime centenas de bilhões de dólares em poucas semanas, esta é a pergunta que os bancos centrais vão ter que responder rapidamente, antes que a situação crítica torne-se irreversível. A paradoxo presente parece consistir no seguinte: o banco tem medo de me emprestar dinheiro nem tanto por medo de que eu não o pague, mas por medo desde dinheiro virar depósito no banco vizinho, obrigando-o a correr atrás de financiamento para a operação.

Assim fica realmente difícil por a economia para funcionar

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