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Por JULIANA SAPORITO

A atual polêmica acerca da exploração do pré-sal parece não ser tão recente. Segundo o ex-diretor de Gás e Energia da Petrobrás, Ildo Sauer, o Governo Federal já havia sido informado da possível descoberta em 2002, quando anomalias registradas pelas investigações geofísicas apontavam grande probabilidade de se encontrar mais petróleo.
Parte do procedimento da Petrobrás encontra-se documentado no livro “A Reconstrução do Setor Elétrico Brasileiro”, publicado em 2003 pela Editora Paz e Terra. A companhia propunha ali uma revisão na partilha do excedente econômico proveniente das usinas hidráulicas e de petróleo e gás. Recomendava-se que os bônus de assinatura parassem de ser vendidos e fossem reestruturados para dar mais lucro ao Governo.

“Em 2002, produzimos um texto em um livro, que seria a base da reforma do setor energético. Lá, nós já discutíamos a necessidade de rever o partilhamento de corrente do excedente econômico produzido tanto nas usinas hidráulicas quanto na produção de petróleo e gás”.

Ouça trecho da entrevista


Na proposta constava o seguinte: “para-se de vender o bilhete de loteria – que é o bônus de assinatura –, concede-se o direito de desenvolver os campos de petróleo aquelas companhias que tiverem capacitação tecnológica e financeira e que oferecerem o maior retorno proporcional à produção de cada campo. E esse recurso produzido assim poderia ser destinado através de uma política também de estado”.

Posteriormente, segundo Sauer relatou ao Projeto Brasil, foram feitos novos avisos, desta vez considerando o potencial econômico e de mercado do pré-sal.

“Quando a Petrobrás tinha um valor de bolsa de 90 bilhões de dólares e já havia perspectivas de um sucesso enorme nesta área, eu pessoalmente entreguei um bilhetinho ao ministro (Guido) Mantega, sugerindo que ele considerasse uma forma de aplicar as reservas brasileiras que estavam rendendo no exterior e custando para serem mantidas aqui dentro sob forma de dívida pública. Sugeri a ele: olha, cria um fundo, compra as ADRs em Nova Iorque”, relatou Sauer em entrevista ao Projeto Brasil.


Em maio do ano passado, o presidente da Petrobrás e o diretor de produção e exploração alertaram o presidente Luis Inácio Lula da Silva de que havia mais petróleo de boa qualidade no pré-sal. “O governo foi alertado de que deveria repensar o modelo de exploração e rever o regime de concessões”, disse.

Em outubro de 2007 a Petrobrás convidou o presidente Lula a visitar a perfuração do pré-sal, no campo de Tupi, e ali oficialmente informado do potencial comercial do campo. “Criou-se então um impasse, que felizmente acabou sendo resolvido, ainda que com cinco, seis meses de atraso pelo presidente da República, em favor de mudar os blocos. Porque 41 dos blocos que estavam em licitação estavam em cima de recursos já comprovadamente existentes. Portanto, (mantendo a rodada) se estaria leiloando bilhetes já premiados”, explicou.

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