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O impagável “professor de Deus”, Alexandre Schwartsman, volta a atacar em seu artigo semanal para a Folha (clique aqui)

A que ele atribui o crescimento do país antes da eclosão da última onda da crise mundial:

1. O país foi beneficiado, em primeiro lugar, pelo aumento de preços de commodities. Entre 2002 e o terceiro trimestre de 2008, estima-se que o poder de compra das exportações tenha crescido 80%. Efeito da bolha.

2. Se a demanda doméstica cresce mais rápido que a produção, a diferença deve ser coberta com importações físicas crescendo acima das exportações físicas, o que foi possível principalmente pelo aumento do poder de compra das exportações. Efeito bolha.

3. Completando esse quadro, a expansão da liquidez mundial barateou o financiamento, trazendo vastos volumes de capital estrangeiro. Efeito bolha.


Ou seja, quase todo o crescimento anterior – segundo seu artigo – se deveu ao efeito bolha. E agora?

“Não há dúvida, porém, que esses três fatores mudaram de direção, isto é, podemos esperar queda de preços de commodities, desaceleração do comércio global e menores fluxos de capital”. Ou seja, a bolha estourou.

O que o gênio da raça dizia em 20 de fevereiro de 2008:

"Doença holandesa" ou amnésia?

Se os "keynesianos de quermesse" não confessarem amnésia, poderão alegar privação momentânea de sentidos


Dizia mais:

Os suspeitos de sempre proclamavam há pouco que a taxa de câmbio abaixo de R$ 2,00 faria a indústria perder participação no PIB, além de inibir os investimentos privados (apesar do barateamento dos bens de capital), e que a taxa de juros não permitiria que o país retomasse o rumo do crescimento acelerado.

No entanto, lendo os jornais deste fim de semana, descobri surpreso que vários desses profetas, na esteira da divulgação dos bons resultados da produção industrial no ano passado, vêm agora a público celebrar o que diziam que não iria ocorrer e afirmar sorridentes que mais ainda está por vir.


Ele se referia àqueles que apontavam o agravamento da crise e os riscos do Banco Central ter permitido a volta dos déficits em transações correntes.

Refletindo um pouco sobre essas afirmações, vi que só me restam duas alternativas para explicar essa súbita conversão: ou os profetas padecem de amnésia ou acreditam que o digníssimo público sofra.

Nunca ouvi falar em amnésia sobre fatos que estavam por vir. No carro de Schwartsman não existe farol dianteiro, porque ele só usa o retrovisor para dirigir. Assim ele supôs olhar, ao olhar para frente, os críticos estivessem olhando o retrovisor, como ele:

Aí, apresenta dados sobre o desempenho da economia, e fecha o artigo com essa pérola:

Em face dessa avalanche de evidências, deve ficar claro que o Brasil não padece de desindustrialização, ou "doença holandesa", ou qualquer outro nome que os "desenvolvimentistas" possam ter criado para batizar um fenômeno inexistente. E, em face deste artigo, espero, deve ficar claro também que o público também não tem motivos para sofrer de amnésia.

Mas, fica minha sugestão, caso nossos "keynesianos de quermesse" não queiram confessar amnésia, podem alegar privação momentânea de sentidos. No mínimo, ajudaria a explicar como conseguiram ignorar essa montanha de dado

Schwartsman poderia alegar também que sofreu privação momentânea dos sentidos quando, ao guiar olhando o retrovisor, não viu que estava indo em direção a uma parede.

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Rodrigo L. Medeiros Comentário de Rodrigo L. Medeiros em 29 outubro 2008 às 11:35
As idéias que circulam pelas sociedades podem até perseguir a verdade, no entanto, não há grandes dúvidas quanto ao fato de que elas podem ser profundamente influenciadas pelas conveniências ou apenas por aquilo que se deseja acreditar. Segundo sugeriu Galbraith: “O primeiro requisito para uma compreensão da vida econômica e social contemporânea é conseguir uma visão clara da relação entre os eventos e as idéias que os interpretam”. Keynes, por sua vez, considerava serem as idéias mais influentes, para o bem ou o mal, do que os interesses pecuniários pessoais. Ele estava correto para um mundo estático. As idéias dominantes são inerentemente conservadoras e não cedem à ofensiva de outras idéias. Elas cedem apenas ao ataque do novo tempo.

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