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Bruno Galvão dos Santos

“Quando me convidaram eu disse que aceitava, mas que teria que ser do meu jeito. Todas as vezes em que foi necessário, recordei minhas palavras e mantive a mesma posição.”
Henrique Meirelles


É muito comum ouvir que atualmente o mundo vive sobre a ditadura dos mercados financeiros. Mas, em nenhum lugar isso é tão verdadeiro quanto no Brasil do governo Lula.

Qualquer estrangeiro que analisasse a situação de forma isenta veria a arrogância e o poder dos membros do Copom é completamente fora de propósito. Todos os servidores públicos estão sujeitos a questionamentos e têm que prestar contas de seus atos, seja de seus superiores hierárquicos, ou de instituições, como o TCU e o CGU, os da sociedade. Todos menos os membros do Copom. Ninguém nem o presidente da República, nem a sociedade pode criticar ou mesmo opinar sobre as decisões do Copom. Desde o início do governo Lula, o Copom ou seus defensores alegam que o BC sempre decide por uma política mais conservadora, quando são muito pressionados. Nesse cenário nonsense, a culpa pelos juros mais altos recai sobre os críticos. O BC teria que provar sua autonomia. Incrível que a sociedade tenha que pagar um enorme custo fiscal e menor crescimento da renda e do emprego apenas para a diretoria do BC fazer demonstração de poder.

As regras de uma sociedade democrática não valem para os membros do Copom. É muito inusitado que decisões que irão definir o custo da dívida pública, o nível de emprego, de competitividade e de crescimento da economia não podem ser criticadas pelo presidente eleito, por sindicalistas, empresários e outros membros da sociedade civil. A explicação para a eliminação do debate democrático é que os membros do Copom e os defensores do juros mais altos do mundo seriam os únicos seres iluminados no Brasil. Não importa a evidência de que o Brasil foi a única economia importante no mundo que aumentou a taxa de juros reais em 2008. Não importa que o praticamente todos os países do mundo estão reduzindo os juros em doses cavalares, mesmo que a maioria dos países já estão com taxa de juros reais negativas. As únicas exceções são países que estão quebrados e tendo que recorrer ao FMI e o Brasil. Não importa que a FGV estima que a produção industrial caía 6% em novembro e as vendas de carros estão despencando. Não importa que os bancos vão utilizar a redução do compulsório para investir em títulos públicos. Mesmo com taxa de juros baixa, os bancos no mundo todo estão empoçando liquidez, imagine com uma taxa de juros tão alta quanto a do Brasil. A falta de qualquer argumento técnico para a manutenção fez com que eles se justificassem nas incertezas em relação ao futuro. Essa desculpa poderia ser justificada se houvesse dúvidas se a inflação e a atividade econômica iria se acelerar ou desacelerar. A inflação está caindo e vai cair mais. A FGV estima que a produção industrial caía 6% em novembro e as vendas de carros estão despencando.

Desde o início do governo Lula o Copom errou diversas vezes, sempre por excesso de conservadorismo: a injustificável e brutal elevação dos juros em 2004-5 foi a responsável pela forte desaceleração em 2005, que ficou muito conhecida pelo discurso o Brasil só cresceu mais do que o Haiti; a demora em reduzir os juros manteve o crescimento baixo em 2006 e provocou uma valorização irracional da moeda brasileira, provocando uma elevação brutal do déficit em conta corrente em um período de preços elevadíssimo das commodities. Em um país normal, a ameaça de demissão coletiva dos membros do Copom seria visto com um alívio: já foi tarde. O mais estranho é que a petulância e a arrogância de se acharem a última bolacha do biscoito é respondida pelo presidente da República assinando embaixo da demonstração de força do Copom. Aí, se for confirmada a possibilidade de queda forte da inflação e de recessão, a sociedade assistirá quieta reduções de juros completamente ineficazes de 0,25 ou 0,5 pontos a cada um mês em meio, enquanto a economia do país desaba? Será que vale a pena pagar para ver? Sim vale a pena, se o espectador torce para que a eleição do Serra em 2010 torne-se uma certeza. Como disse um blogueiro da extrema-direita: “Tchau, Lula. Quem manda é Henrique Meirelles, presidente do Banco Central.” (para verificarem esse dizer basta procurar Lula Meirelles no google, é o primeiro que aparece).

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Rodrigo L. Medeiros Comentário de Rodrigo L. Medeiros em 12 dezembro 2008 às 13:44
Gustavo

Suas observações são oportunas de fato. Realmente em sociedades mais democráticas todas as instâncias públicas estão sujeitas ao processo de crítica e aprimoramento. Esse não parece ser o caso do BC do rentier tupiniquim. Não é de hoje que sua diretoria revela arrogância e, em alguns momentos, grave despreparo técnico. Creio que no governo do sociólogo foi até pior.

Você se lembra do saco de maldades do Gustavo Franco? Pois bem, lá se foram cerca de US$50 bi para o exterior no segundo semestre de 1998. FHC foi reeleito e tivemos que aturar quatro anos de semi-estagnação e precarização das relações de trabalho, tudo isso respaldado pela "boa teoria econômica" nos dizia o FMI, para pagar a farra do populismo cambial.

Está realmente muito difícil escutar os economistas de mercado que são entrevistados na televisão brasileira. Um horror, um verdadeiro pesadelo. Alguns disseram que a crise é boa para a depuração de um sistema econômico. Lembrei-me da crise de 1929 e dos comentários de Irving Fisher, professor e especulador. Outros dizem que o BCB “compensa” o governo gastador e, portanto, mantém a inflação sob “controle”. Triste o nível do debate proposto pela idiotia neoliberal tupiniquim e os defensores dos interesses pecuniários estabelecidos.

Muitos ainda não se deram conta de que o conservadorismo da revolução neoclássica se esgotou e que os mercados financeiros, deixados a sua própria sorte, tendem ao desequilíbrio. Basta ler o novo livro do George Soros, “O novo paradigma para os mercados financeiros”, já disponível nas livrarias brasileiras, ou algum trabalho de Hyman Minsky.


Um abraço,

Rodrigo
Alexandre Cesar Weber Comentário de Alexandre Cesar Weber em 11 dezembro 2008 às 18:22
Você está malhando no ferro frio, com a brutal deflação (não vende nada, carros, apartamentos e todo mundo no olho da rua) é questão de meses para o fim. Talves até seja melhor assim, termina mais rápido.

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