Realmente drástica é a reversão no fluxo dos chamados investimentos em carteira, capital para especulação na bolsa de valores ou para aproveitamento dos juros mantidos excepcionalmente altos pelo Banco Central do Brasil. Neste caso, saímos de um superávit US$ 41 bilhões, de janeiro a outubro de 2007, para um déficit de US$ 7,5 bilhões no mesmo período de 2008.
A análise é de Fernando J. Cardim de Carvalho.
Destaco alguns trechos do texto postado na Carta Maior:
“A crise americana mostrou que os modelos estatísticos de administração de riscos que geraram empregos para a ultima geração de economistas e consultores de bancos, na verdade, nada diziam e desmoronavam rapidamente. Além disso, o aprofundamento das dificuldades da economia americana é sempre preocupante, dada a importância na economia mundial que aquele país mantém e, certamente, manterá por muito tempo. Quando a incerteza se intensifica, afirmou Keynes há mais de 70 anos atrás, sobre a preferência pela liquidez, isto é, a vontade de se livrar de tudo que é arriscado e guardar dinheiro mesmo. Afinal, empresas e bancos podem desaparecer, mas o governo não. Assim, como dar crédito a firmas que podem falir inesperadamente (e quem confiaria nos economistas de bancos nesta altura do campeonato?) ou a consumidores que podem não ter um emprego daqui a pouco?”
“Olhe-se o balanço de pagamentos publicado pelo Banco Central em seu website. As últimas informações cobrem até outubro. O que vemos ali? A deterioração das contas comerciais continua, mas isso não é novo, nem muito mais intenso do que era antes, pelo menos desde o ano passado. A conta de serviços e rendas dá uma primeira pista: o déficit de janeiro a outubro passa de US$ 34 bilhões em 2007 para US$ 49 bilhões em 2008, impulsionado por remessas de lucros, pagamento de juros, etc. Com isso, a conta corrente passa, no mesmo período, de um modesto superávit de US$ 3,5 bilhões para um déficit de US$ 24,8 bilhões. Por outro lado, quando se olha para a conta financeira e de capitais, nota-se uma queda significativa de investimentos diretos, aqueles que se imagina serem favoráveis ao desenvolvimento, de US$ 30 bilhões para US$ 19 bilhões. Mas realmente chocante são os chamados investimentos em carteira, as entradas de capital para especulação na bolsa de valores ou para aproveitamento dos juros mantidos excepcionalmente altos pelo banco central. Esses passam de um superávit US$ 41 bilhões, de janeiro a outubro de 2007, para um déficit de US$ 7,5 bilhões no mesmo período de 2008”.
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