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Gustavo Antônio Galvão dos Santos

DEFENDER CONTROLE DE CAPITAIS É FUMAÇA que ajuda a FUGA do debate pelo MEIRELLES e seus JUROS extremamente ALTOS

Nas Universidades de economia há uma enorme preocupação sobre se deve ou não haver controles de capitais. Eu não tenho nada contra esses controles. Mas a discussão sobre regulação de capitais nesse momento é dispersiva e inútil. Isso é debate acadêmico irrelevante politicamente para o momento atual, pois ninguém dá trela, ninguém que tem poder quer e o país não precisa.
A única discussão política útil hoje que interessa sobre a movimentação de dólares é: os juros precisam cair muito e muito rapidamente!!

O país precisa, todo mundo discute isso no ambiente político e jornalístico, a maior parte do empresariado quer e expressa isso de forma contundente e para os trabalhadores e para o governo é ótimo!

O setor financeiro é contra, parte do PSDB é contra, o DEM é contra. Todo mundo sabe. Mas não me interessa discutir sobre os motivos da taxa de juros brasileiras serem inacreditavelmente altas. Tratei sobre essa questão aqui (clique para ler). Me interessa entender porque os economistas progressistas são tão tímidos em gritar que as taxas devem cair.

Tenho uma hipótese: A maioria desses economistas se comprometeu durante os 8 anos do governo FHC a defender que a única maneira de reduzir os juros era fazendo controles de capitais. Esses economistas lêem menos jornal do que papers (artigos) científicos estrangeiros que foram escritos há alguns anos atrás e utilizaram dados ainda mais antigos. Ou seja, (1) esses economistas estão comprometidos em ser coerentes com os anos que defendiam o controle de capitais e (2) ainda não caiu totalmente a ficha de que esses controles não são necessários no momento atual.

Assim, continuam defendendo que os controles são imprescindíveis, por rigidez disfarçada de coerência e desinformação associada à falta de segurança alcançável só com o respaldo de um autor internacional.

O máximo de concessão que muitos fazem à nova realidade de excesso de liquidez internacional é dizer que os controles agora são necessários para evitar que se entrem dólares demais. Parece piada. Usam o motivo inverso para defender a mesma política… Haja teimosia.

Não quero dizer que a discussão sobre controles não tem importância, quero dizer apenas que a importância dela é mil vezes menor hoje para a política brasileira e o futuro do país do que a discussão de se devemos reduzir fortemente os juros ou não. Apesar disso, na academia heterodoxa ocorre o inverso, poucos discutem sobre juros e muitos discutem sobre controles de capitais. Na minha opinião, esse desvio de prioridades beira o desvario às vezes. Principalmente pelo fato de defenderem os controles porque pode sair muito capital e porque pode entrar muito capital.
Bem, aí eu pergunto: a entrada de capitais está excessiva ou não? Se sim, qual é o risco de reduzir os juros?
O risco é a entrada deixe de ser excessiva!

Eu digo: Ora, mas isso é ótimo!
E se os juros ficarem tão baixos e saírem mais dólares do que entram?
Melhor ainda!!
Nesse caso o dólar vai se valorizar e a indústria brasileira voltará a ter competitividade externa e poderemos crescer acima de 7% graças ao crescimento das exportações e ao aumento do consumo e do investimento induzidos direta ou indiretamente pela queda dos juros.
E se o dólar desvalorizar demais, gerará inflação?
Um pouco, claro, mas será facilmente controlável, porque com 200 bilhões de reserva e exportações crescente o governo pode dar o TETO que quiser para a taxa de câmbio e, portanto, definirá a taxa de inflação máxima que aceita por nível de crescimento desejado.

O problema desse câmbio tão flutuante (poucos ou nenhum câmbio está tão flutuante quanto o nosso) é que a valorização do câmbio melhora pouco a inflação, mas a desvalorização piora mais sensivelmente a inflação (como dizem os economistas: os preços são rígidos à queda mas não tanto à subida). Entretanto, o efeito sobre a competitividade externa é similar. Por isso, um câmbio muito flutuante gera mais inflação, dada a competitividade externa média desejada, ou menos competitividade, dada a taxa de inflação desejada.
O melhor é o governo definir o câmbio que for considerado melhor para o país: competitivo e estável. Assim poderemos ter exportações crescentes e inflação baixa. como em toda a Ásia.
Mas o problema da maior parte dos economistas heterodoxos, e aí eu incluo o Léo Nunes, é que estão mais preocupados em defender o controle de capitais do que o crescimento econômico.
Aí fazem mil malabarismos para explicar o inexplicável: que o Brasil precisa indubitavelmente de controle de capitais hoje.
Isso é certamente falso.
O engraçado é que eles têm a cara de pau de dizer que precisamos de controle de capitais para impedir a valorização do câmbio porque está entrando muito capital e ao mesmo tempo acham que sem controle de capitais não se pode reduzir a taxa de juros porque sairiam muito capitais. O Meirelles adora essa argumentação confusa. Com ela as pessoas esquecem de ver a definição de juros como decisão unilateral de governo, mesmo sem controles…

Ora, matematicamente, entre um valor excessivamente alto e um valor excessivamente negativo, existe um espectro gigantesco! Em todo esse espectro, há espaço para redução da taxa de juros, mesmo porque temos interesse que haja uma saída líquida de capitais para favorecer a desvalorização do câmbio.
Ou seja, o controle de capitais é desnecessário para voltarmos a crescer muito e rapidamente! Isso sem falar no fato de que o crescimento econômico atrai muito capital externo para investimento direto que geralmente não está particularmente interessado em juros altos (por definição, pois estou me referindo ao capital que é atraído pelo crescimento).
Se o controle de capitais é desnecessário, só seria útil defender isso, se fosse uma medida fácil de ser implantada. Porém a resistência política a ela hoje e nos próximos 3 anos, ao menos, é intransponível. Ou seja, se os próximos três, ao menos, tem alguma importância, temos que discutir como derrubar os juros e ou o Meirelles e não o sexo dos anjos.

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